quinta-feira, 19 de abril de 2012

A CARNE E O JORNAL


Meu primeiro contato com as letras foi com minha mãe. Ela me deu um caderno onde passava as letras do alfabeto e meu nome. Quando entrei pra escola já sabia mais do que algumas crianças da colônia onde eu morava (Usina de Açúcar). Meus pais não tinham condições de comprar livros pra mim – desde pequena eu já era amante dos livros – o que me obrigava a criar estratégias para driblar a fome de leitura. Naquela época, a carne do açougue vinha enrolada no jornal e eu pegava a parte limpa do impresso e ficava fazendo as tentativas de leitura em voz alta, eu não entendia nada, mas fazia de conta que compreendia tudo. Na verdade, eu apenas decodificava, pois tinha apenas 6 ou 7 anos e o jornal era um mundo incrível cheio de letras, eu já sabia engatinhar nesse mundo, era alfabetizada, mas esse mundo era muito grande pra mim e eu ficava ali tentando viajar na leitura. A ironia de tudo isso é que hoje em dia eu dispenso a carne, porém, a leitura é meu vício churrascal. Bem, esta é uma das coisas que marcou a minha vida leitora entre outras coisas. Mas, isso são outras churrascadas.

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